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Celebração da Reforma Protestante

LutherHoje, 31 de outubro, é comumente celebrada, sobretudo em países anglófonos, uma festa popularmente conhecida como “halloween” ou “dia das bruxas”, quando crianças com fantasias assombrosas vagam pelas ruas da cidade e batem de porta em porta, recitando a cada um que as atende o consagrado bordão: “gostosuras ou travessuras?” A vítima dos monstrinhos, caso opte pelas gostosuras, lhes distribui doces. Se, porém, escolher as travessuras, as crianças a assustarão com suas máscaras e trajes tenebrosos.

Há, no entanto, outra celebração que o dia 31 de outubro comporta. Há exatos 497 anos, um monge agostiniano chamado Martinho Lutero publicou as suas 95 teses contra a venda de indulgências, tendo em vista a instauração de um debate com respeito ao assunto. O intento inicial do jovem teólogo não era criar uma cisão dentro da igreja romanista, mas buscar soluções para os equívocos que ele, com base nas Escrituras, enxergava dentro do seu próprio grupo religioso. Contudo, o seu ato corajoso e inconformista culminou na sua excomunhão, no dia 3 de janeiro de 1521.

A publicação das 95 teses de Lutero é o marco inicial da Reforma Protestante, uma grande onda de reafirmação da preeminência e suficiência das Escrituras, um verdadeiro tsunami que se alastrou de forma rápida e enérgica, destruindo todas as correntes com as quais o romanismo selara o Texto Sagrado. Ao longo do século XVI, vários movimentos de retorno à Bíblia pulularam em toda a Europa, sob a liderança de homens como Ulrich Zwinglio, Guilherme Farel, João Calvino, Martin Bucer, John Knox e o próprio Martinho Lutero.

O resultado da desconformidade dos protestantes em relação às tradições e dogmas romanistas foi um cisma no Velho Mundo: parte dos países aderiu ao protestantismo, enquanto outros permaneceram fieis à sé romana. De fato, embora a intenção primeva dos reformadores não fosse a divisão da cristandade, a natureza dos seus anseios os impedia de buscar a comunhão com os romanistas e, ao mesmo tempo, não permitia que estes os acolhessem.

Assim, quando os protestantes começaram a defender a causa bíblica e, consequentemente, a denunciar os erros dos romanistas, estavam como que clamando: “ligaduras ou rupturas?” Esse trocadilho mnemônico nos ajuda a entender o que realmente estava acontecendo: caso dessem ouvidos aos clamores protestantes, a opção dos católicos seriam as ligaduras, isto é, a comunhão com os reformadores; se, porém, não os ouvissem, escolheriam as rupturas e não mais caminhariam com eles. Quiseram rupturas.

No início do século XVII, uma nova onda separatista teve lugar na Europa – mais especificamente, nas Ilhas Britânicas. A Inglaterra já havia oficialmente aderido ao protestantismo e se desligado da sé de Roma. Entretanto, alguns inconformistas de dentro da própria igreja anglicana não estavam satisfeitos com os rumos que o protestantismo havia tomado no seu país e decidiram formar uma nova denominação: a igreja batista, a qual, embora possuísse profundas discordâncias com relação à igreja anglicana, sustentava os grandes alicerces da Reforma: “sola gratia”, “sola fide”, “sollus Christus”, “soli Deo gloria” e “sola scriptura”.

Para todos os protestantes – entre os quais estamos nós, batistas –, a salvação é possível somente por causa da graça de Deus (sola gratia), por meio da fé somente (sola fide), fé que é depositada somente na pessoa de Cristo (sollus Christus), para a glória de Deus somente (soli Deo gloria), segundo somente as Escrituras (sola scriptura). É nessas verdades fundamentais que os nossos pais na fé se firmaram e é também nelas que devemos estar firmes!

Que, neste dia, nos lembremos das obras magníficas que, no século XVI, Deus operou através dos seus servos, os quais nos deixaram como legado o livre acesso às Escrituras! Não nos conformemos com os costumes perversos que assolam a igreja brasileira, mas que, assim como os reformadores, estejamos dispostos a sempre empunhar a Bíblia, denunciar os erros e chamar os cristãos ao arrependimento. A maior lição que os reformadores nos ensinam é: a Igreja de Cristo deve ser santa e deve estar totalmente comprometida com as verdades proclamadas na Bíblia. Sigamos o exemplo deles e glorifiquemos ao Senhor pela sua vida!

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