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Um Sofrer Regozijante

Cl. 1:24-29

Introdução: O título desta mensagem pode parecer paradoxal, pois sofrimento e regozijo nunca caminham na mesma direção. No entanto, grande parte das verdades humanas são também relativas, isto é, dependem de como são vistas, ou sentidas. Os conceitos de prazer e de sofrimento, por exemplo, são relativos. A vida de Paulo, quando olhada de fora, era de muito sofrimento (II Co. 11: 24-28), mas do ponto de vista dele próprio, era de inteira realização. Às vezes, pensamos que determinada pessoa vive muito bem e gostaríamos de ser como ela, mas quando nos aproximamos dela, percebemos que ela é tão carente como nós mesmos. Paulo nos dá uma bela lição do que é uma boa vida e, boa vida, na óptica paulina significa uma vida capaz de conhecer e realizar os propósitos de Deus. É sobre isso que ele discorre nesse trecho de sua carta.

I. CONSCIÊNCIA DA MISSÃO PESSOAL (vs. 24, 25).

Consciência é o atributo pelo qual a pessoa pode conhecer e julgar sua própria realidade: quem sou; o que faço, por que faço. Dizemos que uma pessoa é “consciente” quando ela é capaz de realizar os objetivos a que se propôs.

1. “Agora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós”. Essa expressão mostra que Paulo tinha consciência do grau de dificuldade que precisava enfrentar para levar a cabo seu ministério, todavia o prazer pelo resultado compensava o sofrimento (Jo. 16: 21). Encaminhar pessoas a Cristo dá trabalho, causa frustração pelos que se perdem, das sementes que parecem que vão prosperar, mas dão em nada. No entanto, a alegria provocada por uma alma alcançada, salva e firmada na fé produz algo maior que a alegria: um verdadeiro regozijo, como acontece no céu.

2. “Preencho no meu corpo o resto dos sofrimentos de Cristo pela Sua Igreja, que é o Seu corpo”. A consciência de Paulo sobre a sua chamada para anunciar o Evangelho era tão aguçada, que ele era capaz de sofrer na própria carne as dificuldades dos crentes para um crescimento espiritual adequado. Isto é, “até que Cristo seja formado em vós” (Gl. 4: 19). Paulo nunca dizia a frase tão comum em nossos dias: “eu já fiz a minha parte”. Para ele, sempre podia ser feito algo a mais pela Igreja, o Corpo de Cristo.

3. “Fui tornado ministro da Igreja, por chamada divina, para dar pleno cumprimento à Palavra de Deus”. O apóstolo tinha como meta de vida desincumbir-se da missão que Deus lhe confiou. Era um obreiro verdadeiro. Não era alguém que fizesse as coisas pela metade. Ele se entregava de corpo e alma para realizar a maior de todas as missões já recebidas por uma pessoa: salvar o mundo. Para alcançar este objetivo ele trabalhava dia e noite.

II. CONSCIÊNCIA DA MAGNITUDE DA MENSAGEM DE QUE ERA PORTADOR (vs. 26, 27).

É necessário que a pessoa escolhida para realizar determinada tarefa tenha consciência de duas coisas básicas: (i) que a tarefa que ele recebeu seja importante e, (ii) que ele, e não outro, foi o escolhido para realizá-la (Ef. 3: 8-13).

1. Paulo portava uma mensagem “que estivera oculta durante séculos e gerações”. Quando Paulo imaginava a sua pequenez humana, mas Cristo resolveu revelar a ele o Seu eterno propósito, não havia sofrimento humano capaz de detê-lo pelo privilégio que ele sentia de anunciar ao mundo o “mistério que estivera oculto durante séculos e gerações”.

2. Paulo foi a pessoa escolhida por Deus para revelar o mistério. Todos os apóstolos foram importantes no exercício dos seus ministérios, mas nenhum deles teve o grau de compreensão da mensagem da graça de Deus como ele. Paulo foi capaz de entender o plano de Deus como nenhum outro ser humano o foi.

3. A mensagem revelada: “Cristo em vós, a esperança da glória”. O mistério que estivera oculto, que é “Cristo em vós”, só era conhecido por Deus. Nem os seres celestiais, e tão pouco os homens o conhecia. Nem os profetas do A. T. entendiam (I Pe. 1: 10-12). Para a Igreja, o Corpo de Cristo, não apenas foi revelado esse mistério, mas ela se tornou beneficiária e detentora dessa mensagem.

4. A finalidade da mensagem: “Apresentar todo homem perfeito em Cristo”. As heresias que começavam a aparecer no meio da comunidade cristã, falavam muito sobre a perfeição. Paulo pega a idéia para esclarecer que somente em Cristo é possível falar em perfeição.

5. O objetivo da vida de Paulo: “Esforçar-se ao máximo para anunciar a mensagem”. Apesar da disposição de Paulo para o trabalho ministerial, ele compreendia perfeitamente que o que operava nele para um trabalho eficaz era a graça de Deus. Ele diz que o poder de Deus operava nele eficientemente. De fato, é pela força do Santo Espírito de Deus que o crente pode realizar com eficácia a obra do Senhor.

Conclusão: O que é necessário para que cada crente realize a obra de Deus? Três coisas: (i) consciência da missão recebida, (ii), que ele reconheça a importância e a magnitude dessa missão e, (iii), que ele saiba que foi ele, e não outro, o escolhido para realizá-la. A missão consiste em levar a única mensagem capaz de salvar o mundo. Só um crente em Jesus é capacitado para tal missão.

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